Quando Pedir Ajuda Não é Suficiente
abril 25, 2026
Tem dias em que a gente faz tudo certo. Você procura ajuda, segue orientação, tenta entender o que está acontecendo e, ainda assim, a resposta é um “não”.. É o dia que mesmo quando pedir ajuda, não se faz suficiente.
No meu caso, esse “não” veio depois da perícia do INSS. E existe um ponto importante que quase ninguém fala com clareza: a forma como essa avaliação acontece. Durante a perícia, você não é avaliada apenas pelos seus laudos ou pelo CID que acompanha o seu caso. Na prática, isso vai muito além. Na verdade, existe uma observação constante do seu comportamento — o modo como você entra na sala, como se senta, como sobe na maca, como está vestida, se está acompanhada, a forma como responde e se comunica.
O problema é que esse tipo de análise muitas vezes não considera corretamente quadros de saúde mental.
Eu mesma já precisei dizer para uma perita: eu não estou aqui por demência, nem por problema físico visível. Eu estou aqui por um transtorno que não aparece no corpo da mesma forma. Meu diagnóstico envolve ansiedade e depressão, classificados pelos CIDs F41 (Transtorno Misto Ansioso e Depressivo) e F33 (Transtorno Depressivo Recorrente). Por outro lado, esses transtornos não impedem que você fale com clareza por alguns minutos ou execute ações simples naquele momento. Mas isso não significa que você está bem, funcional ou capaz de sustentar uma rotina normal.
Essa é a desconexão que machuca.
E é Quando Pedir Ajuda, não basta!
Você pode parecer bem por alguns minutos — e estar completamente desestruturada no restante do tempo. Quando isso não é considerado, o resultado pode ser injusto. Inclusive foi exatamente assim que aconteceu comigo.
Receber a negativa do INSS não foi só sobre um benefício. Foi sobre não me sentir vista, não me sentir reconhecida como alguém que precisava de cuidado. E quando você já está fragilizada, isso pesa ainda mais.
Eu também tentei buscar ajuda pelo SUS. Entrei na fila, segui o caminho certo, esperei. E continuo esperando desde 2023. Infelizmente, a realidade é dura: o acesso é difícil, o sistema é lento, e enquanto isso a vida continua acontecendo. A ansiedade não espera. A depressão não pausa.
E aí vem outra parte silenciosa dessa história: o dinheiro.
Além disso, cuidar da saúde mental custa. Consulta, terapia, acompanhamento, medicação. E o pior: Nem sempre a gente tem como pagar por isso, principalmente quando já está emocionalmente fragilizada e sem estrutura.
Foi nesse ponto que eu me vi: sem apoio do INSS, sem tratamento pelo SUS, com sintomas reais e sem solução prática vindo de fora.
E foi aí que eu entendi uma coisa muito importante: eu não podia mais ficar parada esperando.
Eu não estava bem. Eu não estava curada. Ainda assim, eu ainda estava aqui. E foi nesse momento que eu meti a primeira. Engrenei.
Não foi bonito, não foi organizado, não foi perfeito. Não era solução completa, mas foi movimento.
Foi quando Pedir Ajuda, foi necessário
Encontrei amigos, que me ouviram, ajudaram, fizeram vaquinha, divulgaram os e-books e mil coisas…
Foi quando Pedir ajuda, virou Gratidão!
E eu mudei o rumo, comecei a escrever tudo. O que eu sentia, o que piorava, o que ajudava, o que funcionava em um dia e não funcionava no outro. A escrita virou uma forma de organizar o caos. Não resolvia tudo, mas trazia clareza. E, em dias de mente confusa, clareza já é um avanço enorme.
Também fui percebendo o quanto é difícil quando o médico passa um remédio que não está na lista do SUS. Você já está sem apoio e ainda precisa lidar com mais essa barreira. Ou você paga, ou você fica sem. Isso cansa, isso desanima. Mas, e quando o remédio está na lista, e nem sempre está lá, de verdade… acaba, ou não vem a quantidade suficiente.
E os dias ficam complicados
Mas você precisa se esforçar, só um pouquinho.
Tem dias em que levantar já é uma vitória. Em outros dias você questiona tudo. E tem dias em que parece que nada vai mudar.
Mas existe uma virada silenciosa que acontece.
Ela não vem como milagre. Não vem de fora. Ela começa quando você percebe que, mesmo não estando bem, você não está mais completamente parada. Você está fazendo algo.
Mesmo pequeno, imperfeito. E mesmo sem ajuda.
E quando isso acontece, alguma coisa muda. A energia começa a se movimentar. A mente começa a sair daquele lugar travado. Você começa a perceber que existe uma força ali — não porque está tudo bem, mas porque, mesmo com tudo difícil, você continua.
E isso muda a forma como você se enxerga.
Você deixa de ser só alguém que precisa de ajuda e passa a ser alguém que também consegue se ajudar, dentro do possível.
Isso não substitui tratamento. Não substitui terapia. Não substitui acompanhamento médico. Mas sustenta você enquanto isso não chega. Eu não estou curada. Ainda não.
E eu vou entrar novamente com o pedido de benefício, porque eu tenho esse direito. E talvez você também tenha. Uma avaliação rápida, sem escuta real, não define a minha condição. Não define a sua.
Eu vou pedir de novo. E, se for necessário, vou pedir novamente. Quantas vezes forem preciso. Porque não faz sentido aceitar que situações tão sérias sejam tratadas com tanta superficialidade.
Existem muitas pessoas em situações extremamente difíceis, tentando sobreviver sem renda, sem apoio, sem acesso ao mínimo necessário. Isso não deveria ser ignorado. Eu vi pessoas recém operadas, com sonda presa na cabeça, na fila, esperando a vez, e ouvindo que o sistema tava fora do ar, e que era para voltar depois.. remarcar…
(Médicos?)
Os médicos (???) estavam lá.. pq não atenderam, anotavam e depois lançavam no sistema? Nós não valemos nada para eles… Eu acredito piamente, que esses médicos nunca fizeram juramento de Hipócrates, só um pedacinho:
Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.
Negar atendimento a pessoas vulneráveis sob a justificativa de seguir protocolos ou limitações de sistema não é apenas descaso — é uma forma de omissão consciente.
Entretanto, quando se deixa de ouvir, de avaliar e de agir diante de situações evidentes de necessidade, o profissional se afasta do propósito da própria profissão.
Transformar o cuidado em atendimento mecânico, baseado em scripts, é reduzir vidas a procedimentos e ignorar direitos básicos.
E ignorar deliberadamente o sofrimento de quem precisa não é apenas falha: é permitir que a injustiça aconteça diante dos próprios olhos.
Como posso chamar essas pessoas de médicos??
Mas, apesar de tudo isso, eu continuo. Sem estar curada, mas em movimento. Sem ter todas as respostas, mas sem desistir. E se você está passando por algo parecido, guarda isso com você: você pode tentar de novo.
E, enquanto isso, se você precisar de um ponto de apoio mais imediato, simples e possível dentro da sua realidade, existem pequenos caminhos que podem ajudar.
No meu caso, tudo começou com a escrita. Com organização dos pensamentos. Com pequenas práticas para acalmar a mente e melhorar o sono aos poucos.
Foi assim que surgiram os materiais que hoje eu uso no meu dia a dia — e que podem ajudar você também, se fizer sentido para o seu momento.
Nada milagroso. Mas real, acessível e possível. Clique Aqui
Porque, às vezes, é isso que a gente precisa para começar.
